Museu Escola - Unesp Botucatu /SP
Meiose

As etapas da meiose

Podemos esquematizar o início e o fim do processo de meiose pelo seguinte esquema:

A meiose propriamente dita pode ser dividida em três partes, que, por sua vez, também tem várias subdivisões. Ela é um processo com uma duplicação e duas divisões.

MEIOSE I

Prófase I

Na prófase I, os cromossomos começam a sofrer o processo de condensação. Eles estão duplicados, devido à replicação do DNA na intérfase. Além disso, os centrômeros migram para polos opostos da célula, formando os polos do fuso, e emitem microtúbulos, formando o fuso mitótico. Até agora, a prófase I parece igualzinha à prófase da mitose, não?

Mas temos diferenças: a prófase da mitose é bem diferente da prófase I da meiose. Em primeiro lugar, na meiose, essa fase do ciclo celular é muito mais demorada.

Além disso, na prófase I da meiose, os dois cromossomos homólogos de um par ficam juntinhos, paralelos um ao outro. Quando os homólogos estão assim, pareados, chamamos o conjunto de bivalente.

Quando observamos a bivalente de perto, vemos que existem regiões em que os braços de cromossomos homólogos se cruzam, formando um X. Essa formação é o quiasma. Ele é a principal estrutura responsável por manter os homólogos unidos.

Uma função muito importante do quiasma é a recombinação ou crossing-over. Ele pode ser definido como a troca de pedaços semelhantes entre os cromossomos homólogos. Podemos esquematizar o crossing-over da seguinte maneira:

você deve ter reparado que o quiasma exerce é essencial para o processo de crossing-over. Entretanto, não devemos nos esquecer que o quiasma tem outra função muito importante: como ele mantém os homólogos unidos, ele ajuda na organização dos cromossomos, que ficam arrumados aos pares. Isso ajuda a evitar erros durante uma das próximas etapas, que é sua separação na anáfase I. Afinal, é muito mais fácil trabalhar quando tudo está agrupado e organizado, não é mesmo?

Metáfase I

Na metáfase I, os pares de cromossomos homólogos ficam organizados e enfileirados no equador da célula, da seguinte maneira:

 Aqui, há outra grande diferença entre a mitose e a meiose. Na mitose, as cromátides de um cromossomo se ligavam a polos diferentes. Como resultado, cada cromossomo se ligava aos dois polos do fuso. Na meiose, por outro lado, cada cromossomo se liga a apenas um polo do fuso mitótico, e cada cromossomo homólogo se liga a um polo do fuso diferente.

Anáfase I

Na anáfase I, tudo que mantém os cromossomos homólogos unidos entre si, como as proteínas coesinas e a estrutura do quiasma, se desfaz. Então, cada cromossomo homólogo de um par é puxado em direção ao polo do fuso ao qual está ligado.


Para entender melhor a situação, pense em uma brincadeira de cabo de guerra na qual os dois times tenham a mesma força. Nesse caso, há uma tensão sendo exercida na corda, devido às forças dos dois times (“tensão exercida pelo fuso mitótico”). Entretanto, como a corda está íntegra (“homólogos unidos em um bivalente”), ela fica posicionada no meio (“metáfase”), apesar de os times estarem puxando para extremidades opostas. Também imagine que, durante o jogo, alguém corta a corda. Quando esse acidente acontece, cada metade da corda vai para um lado! Quando a corda é cortada (“coesina e quiasma se desfazem”), cada metade dela (“cada homólogo”) é puxada para um lado (“anáfase”).

Esse processo é chamado de disjunção ou segregação dos homólogos. Essa etapa é muito importante, pois é fonte de variabilidade genética, visto que pode gerar células com diferentes combinações genéticas. Veremos isso mais adiante.

Telófase I

A telófase I é bem parecida com a telófase da mitose: os cromossomos se descondensam e voltam a ficar fininhos e longos; o fuso mitótico se desfaz; a citocinese se completa... Assim termina a primeira divisão celular da meiose. Ao final dela, teremos duas células filhas.

Você deve lembrar que no final da anáfase I, cada homólogo foi puxado para um polo da célula. Assim, em cada polo da célula, há um conjunto haploide de cromossomos (há apenas um de cada tipo de cromossomo, ao invés de haver um par). Um novo envelope nuclear se forma ao redor de cada polo, formando, assim, dois novos núcleos haploides. Deste, modo, passamos das células diploides para as haploides.

INTERCINESE

A intercinese é um período entre as duas divisões meióticas. Nele, a célula se recupera da meiose I e se prepara para a meiose II. Podemos considerar a intercinese como uma interfase entre duas divisões? A resposta é NÃO. Afinal, não há duplicação do DNA (o equivalente à fase S), pois os cromossomos já estão duplicados.

MEIOSE II

Prófase II

A prófase II é muito parecida com a prófase I. Nela o DNA começa a se condensar e o envelope nuclear se desfaz. Os centrossomos migram para polos opostos da célula e começam a formar o fuso mitótico.

 

Metáfase II

Na metáfase II, os cromossomos, completamente condensados, ficam organizados em fileira no equador da célula, assim como ocorre na mitose. Nessa segunda divisão celular da meiose, cada uma das cromátides de um cromossomo se liga a um polo oposto, igual ao o que ocorre na mitose.

Anáfase II

Na anáfase II, as proteínas que mantém as cromátides-irmãs unidas se desfazem. Assim, conforme o mesmo exemplo do cabo de guerra dado para a anáfase I, cada cromátide-irmã é puxado para o polo da célula ao qual está ligado. Dessa forma, uma cromátide vai para um polo, enquanto sua irmã vai para o outro. Cada cromátide originará um cromossomo filho, não duplicado.

 

Telófase II

Agora, chegamos à ultima fase da meiose (ufa!): a telófase II. Nela, assim como na mitose e na meiose I, os cromossomos começam sua descondensação, o fuso mitótico se desfaz, e novos envelopes nucleares se formam ao redor de cada polo do fuso. Devemos nos lembrar que em cada polo há um conjunto haploide de cromossomos não-duplicados. Esses conjuntos, após envoltos por membrana, vão originar os núcleos das células-filhas. Também, na telófase II, a citocinese se completa, e há formação de duas células-filhas para cada célula originada da meiose I, resultando em um total de quatro células haploides no final da meiose.

Como citar:

Autores: Flávia Karina Delella, Maria Laura Gabriel Kuniyoshi,
Data Publicação: 00/00/0000
Página: http://museuescola.ibb.unesp.br/subtopico.php?id=3&pag=23&num=3&sub=444