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Animalia

[Bico das aves e alimentação] [Asas e pés das aves] [Como são e para que servem as penas?] [Como as aves voam?] [Como as aves se reproduzem e como são seus ninhos?] [Como as aves cantam?]

ferreirinho_small.jpgBiologia das Aves

As aves pertencem ao grande grupo dos animais vertebrados que evoluíram a partir dos répteis e reúnem as seguintes características:

- são dotados de bicos (não possuem dentes)

- o corpo é coberto por penas que são adaptações para o vôo

- Apóiam-se em duas patas (são bípedes)

- Possuem ossos e sacos pneumáticos (corpo leve)

- Possuem metabolismo elevado e geram calor (endotérmicas)

- Regulam a temperatura do corpo (homeotérmicas)

- Os filhotes nascem de ovos com casca dura (ovíparos).

 

quero_quero_corpo.jpg  

Veja ao lado as partes do corpo de uma ave, tendo como exemplo, o quero-quero.

Apesar de todas as aves compartilharem características comuns entre si são muito variadas quanto ao tamanho, forma, comportamento e locais onde vivem.

Assim temos aves minúsculas como os beija-flores e enormes como as avestruzes. Aves que voam e não voam. Aves que cantam e não cantam.

 

Quantas espécies de aves existem?

Ao todo, já foram identificadas em torno de 9.000 espécies diferentes. A diversidade das aves está intimamente relacionada com o ambiente onde vivem. Há espécies amplamente distribuídas no planeta assim como as que vivem restritas em determinados ambientes. A classificação das aves varia conforme os autores. Segundo a classificação cientificamente mais aceita (a de Sibley-Ahlquist) há 146 famílias e 23 ordens de aves conhecidas.

A lista de aves brasileiras corresponde a 1.825 espécies, segundo o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos.

No Jardim Botânico do Instituto de Biociências registramos 125 espécies diferentes desde as que são observadas durante o ano todo e as que ocorrem temporariamente. Clique aqui e veja o nosso Guia de Aves do JB (em breve).

 


 


bico_quero_quero.jpg  

 Como é o bico?

 

O bico das aves é formado de duas partes: a mandíbula superior e mandíbula inferior. A forma do bico varia muito em função do hábito alimentar ou seja, depende do que uma ave se alimenta.

Também no bico situa-se o par de narinas por onde o ar entra e sai durante a respiração.

 

Diversidade e adaptação dos Bicos

Todo mundo sabe que os mamíferos possuem dentes e usam-nos para triturarem o alimento antes de engolir, não é verdade? A sua mãe já deve ter recomendado várias vezes: filho, mastigue bem a comida antes de engolir! Mas as aves são banguelas, ou seja, não possuem dentes e engolem o alimento sem mastigar!

 

E como as aves que comem grãos e sementes resolvem o problema? É fácil: possuem uma solução alternativa aos dentes, ou seja, um órgão muscular triturador chamado moela que fica antes do estômago. Na moela, os grãos são quebrados em pedacinhos menores para facilitar a digestão química. Já as aves que comem alimentos macios como carne, polpas de frutas, néctar, etc., não precisam de moela.

 

As aves são carnívoras (comedoras de outros animais), herbívoras (comedoras de plantas) ou onívoras (comem as duas coisas). E para cada tipo de alimento, um tipo de bico. Os bicos são práticos: desgastam com o uso mas são renovadas durante toda a vida! Veja a diversidade de bicos de diferentes aves.

bem-te-vi_come.jpg O bico longo funciona como uma pinça para capturar pequenas presas e furar frutas maduras. É assim que o bem-te-vi alimenta-se de uma dieta onívora.
coleirinho_come.jpg As aves que se alimentam de sementes ou grãos duros, usam a força do bico na sua base, como faz esse colerinho para quebrar a casca. As aves que se alimentam de sementes possuem bicos cônicos.
viuvinha_come.jpg A viuvinha é uma ave tipicamente insetívora. Ela fica empoleirada num ponto bem alto de uma árvore, espera e observa a aproximação dos insetos e captura-os em pleno vôo.
gaviao_carijo_bico.jpg

As aves que se alimentam de carne possuem bicos fortes e em forma de gancho para cortar e rasgar como o gavião carijó que alimenta-se de pequenos vertebrados.

urubu_come.jpg O urubú-de-cabeça-preta   possui o mesmo padrão de bico porém mais longo. Ele não caça mas se alimenta da carcaça de outros animais.
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As aves que se alimentam do néctar das flores como o beija-flor possuem bicos longos e língua compridos. O bico longo permite alcançar os nectários, locais de armazenamento do néctar das flores.

pica-pau_bico.jpg

O pica-pau-de-topete-vermelho está sempre bicando os troncos  de árvores à procura de  larvas de insetos. Além de um bico forte, possui uma língua excepcionalmente longa para capturar as larvas que ficam escondidas dentro da árvore.

jacupemba_come.jpg As aves que se alimentam de frutos maduros e partes macias das plantas não possuem bicos duros. É o caso da jacupemba
talha-mar_come1.jpg O talha-mar, ave do Pantanal, possui o bico inferior mais longo do que superior. Em vôo rasante sobre superfície da água com o bico inferior aberto e dentro da água, captura os peixes que encontra no caminho!
periquitao_bico.jpg

O periquito-de-encontro-amarelo possui um bico curto para obter força na base para quebrar nozes e a ponta curva para  para remover a amêndoa. Um detalhe:  veja o uso da pata para segurar enquanto o bico trabalha.

 No JB flagramos várias aves se alimentando durante as nossas observações. A utilização de recursos alimentares pelas aves varia ao longo do ano em função das estações e do hábito alimentar e do habitat. 

 

Assim, há aves que descem até o chão para procurar alimento (sabiás, tico-tico, rolinhas, maria-faceira, etc.) e outras que jamais são vistos no solo (beija-flores, bem-te-vi, ferreirinho-relógio, tucano, etc.). Na região do lago observamos a jaçanã caminhando entre a vegetação e capturando pequenos insetos e até peixes. É fascinante observar o vôo rasante do bentevizinho-de-penacho-vermelho capturando peixes na superfície da água ou a andorinha-serradora bebendo água. Por outro lado, outras aves nunca são vistas próximos a região do lago.

 

A riqueza da avifauna local está intimamente associada à ocorrência de recursos alimentares e reprodutivos, bem como a ausência de predação humana.

bico_sovi_come.jpg Flagramos o sovi capturando uma pequena ave em pleno vôo com uma das patas e, em seguida, alimentando-se no alto de um eucalipto. Com um pé prendia a presa sobre o galho e com o bico rasgava a carne. 
bico_pica-pau-come.jpg Ouvimos o som ritmado de tamborilar e identificamos o pica-pau-banda-branca, dando voltas em torno do galho na posição vertical e alimentando-se de larvas.
bico_viuvinha_come.jpg A viuvinha fica pousada bem no alto da copa das árvores, aguardando o momento certo para capturar insetos em pleno vôo.
bico_sabia_come.jpg O sabiá desce ao chão para procurar alimento. Quando forrageia entre as folhas caídas é muito difícil localizá-lo pois confunde-se facilmente com o ambiente.
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O tiziu alimenta-se de sementes de gramíneas mas os filhotes são alimentados com larvas de insetos.

bico_mariafaceira_come.jpg Em torno do lago vimos a maria-faceira capturando precisamente um verme com o seu bico em forma de pinça.
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Outra ave pernalta que vimos forrageando o JB foi um casal de seriema, porém em local mais seco, distante do lago.

 

Outras funções dos Bicos

As aves usam os bicos não só para se alimentarem como também para transportarem materiais, construir ninhos e pentear as penas.

 

ninho_caneleiro-do-chapeu-preto.jpg Veja o ninho construído pelo casal de caneleiro-de-chapeu-preto, no alto do pé de eucalipto. Não é admirável o fato dele usar apenas o bico para trançar as fibras? O interessante é que todo ano o casal volta ao mesmo sitio e recicla o material do ninho antigo.
bico_lipeza.jpg Aqui está o suiriri ajeitando as penas das asas com o bico. Além de pentear as penas que devem estar sempre alinhadas para o vôo, o bico serve para fazer a higiene pessoal e dos filhotes.
bico_pombao1.jpg Durante os rituais de acasalamento o bico pode ser usado para fazer um cafuné como observamos entre o casal de pombão.

 


 

Diversidade e adaptação das asas

 

Há asas de diversos tipos como pode ser observado abaixo: curtas ou longas, largas ou estreitas. A diversidade na forma das asas está intimamente associada com o tipo de vôo das aves. 

 

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Asas planadoras estreitas

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Esse tipo facilita o vôo planado onde a ave, ao invés de bater asas, deixa-as abertas e aproveita a corrente de ar.

Enquanto houver correntes de vento, a ave poderá ficar voando. É assim que a fragata aproveita a corrente marítima e voa com grande economia de energia.

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Asas planadoras largas

asa_gaviao_carijo.jpgasa_urubu.jpg  

Esse tipo de asa possui uma superfície grande e está  adaptada para o vôo em grandes altitudes. Como no caso anterior, as asas estão a maior parte do tempo abertas. Para ganhar altitude, essas aves pegam carona nas correntes térmicas ascendentes.

O gavião carijó é uma ave de rapina que ganha altitude de ar e plana a procura de presas no solo;

 

Você já deve ter visto bandos de urubus-de-cabeça-preta voando em círculos. Nesse momento, estão ganhando altitude para lá do alto, procurarem carcaças de animais dos quais se alimentam.

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Asas elípticas

asa_perdiz.jpg As asas elípticas são curtas e estão adaptadas para decolagens rápidas e vigorosas. São ótimas para fugir de predadores e fazer manobras mudando rapidamente a trajetória do vôo.  (pássaros, galináceos perdiz, pica-pau e nos pombos).

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Asas de alta velocidade

asa_andorinhao1.jpgasa_beija-flor-fronte-violeta.jpg

As asas de alta velocidade são curtas, estreitas e curvas. Proporcionam não só velocidade mas também excelente manobrabilidade. São asas que estão batendo freqüentemente.

 

Graças a asas como essas, o andorinhão muda a trajetória do seu vôo a qualquer momento, possibilitando sucesso na captura de presas e a sua própria fuga dos inimigos naturais.

 

os beija-flores que nunca param de bater as asas, além de velozes, fazem manobras espetaculares, entre eles pairar no ar e voar para trás.

 

 

 

Outras funções para as Asas

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Pinguim

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Ema

 

Os pingüins não voam mas nadam excepcionalmente. Suas asas formam um par de remos poderosos. As emas e os avestruzes também não voam mas em compensação são exímias corredoras, podendo alcançar velocidades de 80Km/h!! Uma espécie de ave já extinta e que é bem popular é o Dodô. Ele também não voava. O fato de várias aves que não voam estarem em perigo de extinção estaria associada  a uma menor chance de fuga? Os cientistas acreditam que sim.

 

Diversidade e adaptação das Patas

As aves que andam, procurando alimento no chão como a galinha ou a jacupemba, possuem pés cujos dedos ficam bem abertos para se firmarem bem. Já o gavião que captura suas presas usando as patas, tem os dedos fortes e com garras afiadas que se abrem e fecham na hora do bote final. Mas para um nadador como o pato-do-mato, são vantajosos dedos dos pés com membranas entre eles, de forma que funcionem como se fossem remos. E se a especialidade é correr, além de pernas compridas, são necessários dedos grossos e fortes como os das emas (que não voam).

 

 

Os pés não são utilizados apenas para a locomoção mas também para coçar o corpo. Os psitacídeos (família dos papagaios e periquitos) fazem um uso mais sofisticado: usam os pés para segurar e manipular objetos!

Vadeadorpata_galo.jpg pata_jacupemba.jpg Essa é uma pata típica de uma ave com 3 dedos voltados para frente e 1 para atrás. São dedos adaptados para caminhar ou saltar (jacupemba).
Agarradorpata_rapina.jpg pata_gaviao_carijo.jpg Os dedos de uma ave de rapina (gavião carijó) são naturalmente encurvados para dentro, como se estivessem prontos para agarrar. As aves de rapina geralmente ficam empoleiradas e não caminham.
Empoleiradorpata_empoleirador.jpg pata_ferreinho.jpg O ferreirinho-relógio e os demais pássaros possuem dedos voltados para trás para se empoleirem, segurando-se firmemente aos galhos.
Trepadorpata_pica_pau.jpg pata_pica-pau.jpg Os pica-paus possuem 2 dedos para frente e 2 dedos atrás que garantem a escalada vertical nos troncos das árvores. É o caso do pica-pau-de-topete-vermelho!
Nadadorpata_pato.jpg pata_pato-do-mato.jpg Os dedos dos pés do pato-do-mato são unidos por membranas que aumentam a superfície. As aves aquáticas nadam movimentando alternadamente as duas patas.

Corredor

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As emas não voam mas são ótimas corredoras, podendo alcançar até 60Km/hora! Suas pernas são longas e os três dedos dos pés, bem grossas.

 

 

Os pés não servem apenas para a manter a postura ou para locomoverem-se. Algumas aves utilizam os pés como nós usamos as nossas mãos: Os psitacídeos (papagaios) e as aves de rapina (falconiformes) utilizam para segurar o alimento, cada qual a sua moda. Na época da reprodução, os galos utilizam os pés como armas de ataque e defesa quando os machos lutam por territórios ou por parceiras sexuais .

 

 


 

As partes e os tipos de penas quero_quero_pena.jpg

 

Sem as penas, a ave não pode voar. As penas são consideradas obras-primas de engenharia: resistente, flexível, reparável e belo. A quantidade total de penas das diferentes aves varia bastante. Ainda que reparáveis estão sujeitas a desgastes e as aves trocam as penas uma vez por ano.

 

 Uma pena possui as seguintes estruturas:

 

Câlamo: é a parte do tubo transparente que fica mergulhado dentro da pele.

 

Raque: é a continuação do câlamo que fica para fora da pele

 

Barbas: ramificações que saem da raque dos dois lados formando o vexilo

 

Barbelas: ramificação da barba.

 

 As penas cobrem o corpo variam e possuem um nome e função próprias:

 

Tetrizes (penas de contorno): são pequenas e cobrem o corpo da ave, fazendo com que fique mais fácil de voar.

 

Plúmulas: ficam por baixo das penas de contorno. Formam uma camada de ar que funciona como se fosse um agasalho conservando o calor do corpo.

 

Penas de vôo: são longas e muito resistentes. As da cauda são chamadas de rectrizes e da asa, rêmiges.

 

Filoplumas e cerdas: são penas modificadas. As cerdas são comuns ao redor dos olhos e da boca e funcionam como se fossem órgãos do tato.

 

quero_quero_voo1.jpgquero_quero_pena_tipos.jpg

 

Clique aqui e veja a bela ilustração sobre a variedade de penas.

 

Você sabia que as penas das aves equivalem às escamas dos répteis e dos peixes e os pelos dos mamíferos?

 

É isso mesmo: escamas, penas e pelos são estruturas da pele formadas de proteínas fibrosas chamadas queratina. Podemos dizer que são as roupagens naturais.

 

 Propriedades das penas

As aves já nascem com penas, quase pelados ou poucas penas. Aos poucos as penas vão cobrindo o corpo e quando deixam o ninho, ficam totalmente empenados. Note as diferentes etapas do crescimento e mudança de plumagem de uma gaivota. Depois de adultos as aves fazem mudas para substituir penas desgastadas por novas.

 

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Depois de adquirirem as penas de adulto, na época de reprodução, os machos de muitas espécies ficam muito diferentes das fêmeas. Por outro lado, em outras espécies, a plumagem de ambos os sexos são tão parecidas que é difícil saber quem é macho e quem é fêmea.Veja:

 

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Casal de choca-barrada (a esquerda a fêmea)/ Casal de periquitão-maracanã

 

 


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As penas não servem apenas para cobrir o corpo e facilitar o vôo. As penas retém ar e proporciona um acolchoado que conserva o calor do corpo da ave. Além disso, proporcionam a defesa anti-predatória: quando a ave está em repouso e imóvel, as cores das penas confundem-se com o meio ambiente, ficando o corpo camuflado e invisível aos predadores. Você consegue identificar o urutau oculto, na fotografia ao lado?

 

 

 

As penas são importantes elementos da comunicação entre os indivíduos da mesma espécie. Quando a época de acasalamento chega, os machos de várias espécies trocam as penas adquirindo penas nupciais que os tornamexuberantes. Quando a muda se completa, o macho toma as iniciativas, exibindo-se para as fêmeas, dançando, vocalizando e mostrando todos os atributos para elas, na esperança de ser escolhido para o acasalamento. E as fêmeas? Elas não ficam chamativas como os machos; apenas observam e escolhem o macho que será o pai de sua prole.

 

Assista ao cortejo de espécies de ave-do-paraíso. Note como a forma e a cor das penas proporcionam efeitos impressionantes.

 


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Assista a um vídeo sobre o ritual de acasalamento da ave-do-paraiso-de-doze-fios da Nova Guine. O exagero da sua plumagem e o modo como ele corteja a fêmea torna-o inconfundível, ou seja, assegura que ela tenha certeza que é o parceiro sexual da mesma espécie

 

 Note a diferença entre os sexos quanto ao padrão das penas.

 

Os seres humanos também ficam fascinados pela exuberância das penas. Tradicionalmente são utilizados por várias culturas como adornos estéticos ou indicação de posição social (várias culturas aborígenes).

 


Parte 2

[Bico das aves e alimentação] [Asas e pés das aves] [Como são e para que servem as penas?] [Como as aves voam?] [Como as aves se reproduzem e como são seus ninhos?] [Como as aves cantam?]


Como citar:

Autores: Silvia Mitiko Nishida,
Data Publicação: 00/00/0000
Página: http://museuescola.ibb.unesp.br/subtopico.php?id=4&pag=33&num=5&sub=137